"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho" - Mário Quintana
sexta-feira, 5 de março de 2010
Raiva. Muita raiva. Era tudo que Ana Maria conseguia sentir nesse momento. Nada menos cabível. A vida tinha andado, finalmente. Desde os 15 anos estava emocionalmente envolvida com um mesmo rapaz. Mesmo que ele nunca venha a saber disso. Uma amor de menina, puro, simples, bobo: risível. Aff! Foram penosos três anos de amor calado, num silêncio que seria de túmulo, como dizem, mas a expressão aqui não ficaria boa, pois o amor não morreu. E amor enquanto não morre, aumenta. E assim foi. Ana Maria nutria esse sentimento com colheradas fartas de fantasias, de vontades, sonhos banais como comer brigadeiro embaixo do cobertor num domingo de chuva e frio. Suspirava imaginando a presença diária de Ricardo, seu sorriso perfeito. Imaginava com ele o acordar, o fim do dia. Ficava remontando com ele cenas de cinema e comercial de margarina. Os atores: ela, ele e três filhos homens loiros como o pai. Chegava mesmo a encenar certas fantasias e por vezes se pegava falando com ele, sozinha. Era como se ele realmente estivesse com ela as vezes. Ela sentia a presença dele de uma maneira triste de quem sabe que está se enganando. Enfim, assim foi por três longos anos de encontros ao acaso. E agora, sem mais nem menos, ela tinha enfim, se apaixonado por outro. E como assim se apaixonado por outro? Depois de tantos e tantos dias sofridos, sonhando, desejando, planejando... e tudo teria de ficar assim, perdido, largado, irrealisado, abandonado como uma caixa de sapato que ninguém guarda sapatos e então, não serve para mais nada. Quanta imaginação disperdiçada, quantos suspiros em vão. Que maldição, que peça o destino tinha lhe pregado. Ora quem diria, apaixonada por outro. Apaixonada por Getúlio. Homem sem graça, homem miúdo, homem pálido sem expressão, sem menor jeito de homem, homem que faça filhos (que dirá filhos homems). Entretanto, Getúlio era dono das fantasias sexuais mais cabulosas que Ana Maria poderia pensar. Não, não podia ser, isso não podia estar acontecendo com ela. Era muita injustiça para ser verdade. Isso devia ser coisa dos hormônios, muito tempo se guardando para um homem só dá nisso, a pessoa endoidece. Que fazer agora? Sonhar tudo denovo? Porque ela não iria dar a Getúlio os sonhos mais lindos de sua vida, os sonhos que não eram dele, não eram para ele. Era a vida com Ricardo. Era a vida feliz com Ricardo. Isso não combinava com Getúlio. Com ele a coisa era outra, era pele, era beijo, era amasso. Logo com aquele homem, que para morto, bastava perder a vida. Cruzes. Muita raiva, muita raiva. Ana Maria bufava de raiva. Agora, tinha dois amores, amava dois homens. E como pode ser isso, como pode querer a dois para ter do lado. Na verdade Ricardo era pra ter do lado, Getúlio era para ter emcima. Será que ela estaria condenada a sujeira de ter um amante para o resto da vida? Será que mesmo que se casasse com Ricardo, não haveria de tirar da mente os sonhos impuros com Getúlio? E teria de o procurar nas tardes em que o marido estivesse trabalhando e tivesse que arriscar todo seu casamento de margarina por insaciáveis aventuras carnais? Céus, esses pensamentos só a deixavam querendo mais. Os dois. E por fim se enchia de raiva e mais raiva. Como ela podia ter deixado isso acontecer, como ela tinha se deixado levar pelos encantos moribundos do outro. Será que nos dias de hoje não se pode confiar nem em si mesmo? Sua vida era tão feliz e amável enquanto tinha sido fiel a um homem só. E se a solução fosse acabar com Getúlio? O outro é que ela não ia querer ver num caixão. Será que depois que a morte levasse Getúlio de todo, ele ainda atormentaria seus pensamentos e ela acordaria no meio da noite suando frio, gelada pelo desejo nunca realisado? Uma desgraça, era isso que sua vida era agora, arrastada ao amor por dois homens, dois homens! Deus jamais a perdoaria por tanta gula.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Marta não falava a verdade porque era boazinha. Nem por apreço a moral e aos bons costumes. É só porque falar a verdade dava menos trabalho. Mentir requer muita criatividade e disso, ela tinha pouco. Inventar histórias nunca foi seu forte. Não que fosse de todo incapacitada para inventar, mas era tão mais fácil dizer tudo como tinha sido. Sem falar que evitaria problemas futuros. Ela nunca seria pega, não tinha trapaceado. Por outro lado, uma mentirinha ou outra poderia ter lhe salvado centenas de vezes e evitado muitos problemas futuros. Nem sempre a verdade é bemvinda. Nem sempre a realidade dos fatos faz bem. Marta considerava isso um efeito colateral, quanto a ele não havia o que fazer, eram as consequências irremediáveis. Já os frutos da mentira, eram todos crias dela (de Marta e sua invenção). Marta sabia que falando a verdade ou a mentira, haveriam mal intendidos, corria-se riscos. Uma verdade pode trazer tanta destruição quanto a falta dela. Então, melhor falar tudo tim-rim-por-tim; além de menos trabalhoso, ainda se sai bem falado. Se algo desse errado porque Marta omitiu e inventou detalhes ou todo o tudo, a culpa seria, logicamente, dela. Ela teria que carregar esse peso para toda a vida. Já se, tudo desandasse por causa do que realmente aconteceu, a culpa não era dela, era do acontecido, das circunstâncias, do acaso (para os descrentes) ou do destino (para os que tem fé). E ela poderia sofrer, mas não poderia ser menos julgada do que qualquer um dos demais envolvidos nas circunstâncias. O que era, definitivamente um consolo, um alívio. Quem pode contra a própria consciência? É por isso que Marta achava que é preciso muito peito para mentir. Ao contrário do que a maioria pensa, Marta achava que é preciso muita coragem para dizer uma mentira e correr o risco de ser atormentado por ela até o leito de morte. Por isso, ela se colocava na ala dos covardes, dos mais racionais e menos inventivos. E assim, Marta não podia deixar de sentir remorso e de se criticar por ser tão apática. E, no fim das contas, apesar de tudo, acabou muitas vezes se sentindo culpada. Culpada sim, por não ter mentido, por não ter tido a virtude da mentira que teria sido tão mais confortável, tão mais certa. Quantas coisas Marta tinha destruído e visto cair por causa de sua sinceridade. Quanta dor ela sentia escondida, buscando sempre sua lógica de pensamento para lhe dar um alento, para aliviar a culpa. Por mais que a lógica lhe dissesse que ela estava certa em cumprir com a verdade, ela se sentia medíocre. Quanta coisa uma mentira pode evitar. Porque jogar tudo por terra, se uma mentira mantém toda ordem? Porque não aceitar a mentira se a realidade é tão maléfica? Se tantas verdades são temporárias, qual a diferença? Amanhã poderão ser mentiras; e as coisas mais inacreditáveis, outrora, não poderão virar as mais certas... Qual seria pior, o que seria mais digno de covardia ou heroísmo? Quem pode julgar? A consciência é juíz justo? A consciência é juíz justo. Até que se prove o contrário.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
E ninguém liga se no meio da noite eles trocam de perfume e ela vai embora com o cheiro dele e ele vai embora com o cheiro dela. A brincadeira de vice-versa é das mais gostosas. É como se levássemos um pedacinho alheio para casa. E quem pode dizer o contrário? O cheiro é das coisas mais fiéis que alguém pode ter, mais intrínsecas, mais pessoais, mais características. É sim, uma parte do outro (e tal como outra qualquer, volátil). E o olfato é o órgào mais atento, mais sensível as lembranças. Cheiro disperta. Cheiro não se confunde. Por mais que seja a originalidade vinda de um vidro comercial, essa logo se dissolve, se perde. No fim, no fim da noite, o que fica é sempre o cheiro honesto, o cheiro de verdade, da verdade. O cheiro enganador fica pelos lençois. Na pele, fica mesmo é o cheiro da carne, o cheiro do corpo, o doce cheiro das travessuras a dois. E é esse cheiro que levamos do outro quando nos despedimos. É esse cheiro que sentimos pena de perder ao tomar banho. Mas não entenda isso como um roubo. A maravilha dos odores é exatamente a perpetuação, sua capacidade de multiplicar-se. O cheiro próprio se doa, mas sem nunca se perder. É o milagre compartilhado.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Desde quando ele se foi, Catarina não trocou mais o lençol da cama de casal. Completariam 4 meses na próxima semana. Resolveu cultuar as escamas mortas da pele dele (pele rosada, pele frágil). Preferia assim. Lençóis alvos não tem história. Assim como a moça fiel que se casa nova abdica de ter dentro de si outros tantos. Adbica para ser cândica, lívida. Abdica porque acha que assim que deve ser, porque se sente completa com o que tem, porque não precisa de mais. Digamos que os que se contentam com pouco são os que não se perderam conhecendo todo o resto. E isso ela já era. O papel da lividez era dela e a ela bastava. Não tinha espaço na cama para mais disso. Não era com isso que ela queria dormir todas as noites. Seu companheiro deveria ser diferente.
Ao contrário dos que amam as páginas em branco porque sempre poderão enchergar nela mil possibilidades, ela preferia conviver com as escolhas. Não gostava do jogo de não ter nada para poder ter tudo. Apesar disso, sempre desejou a presença dos que contemplam e tem medo de serem presos pelas artimanhas das opções que fazem. Dos que acham que mais pesa o que perdem, do que o que ganham, quando optam. Traiçoeiro livre arbítrio.
Ela gostava das marcas, era uma mulher de escolhas, das que seguem caminhos, mesmo sabendo que assim acaba perdendo outras trilhas. A curiosidade nunca foi seu forte. Era mulher de ganância pequena, nunca desejou o mundo todo para si. Só queria parte dele. Uma pequena parte era suficiente. E justo a parte que mais desejou, tinha ido embora a 4 meses. Mas, quem podia culpar o mundo por isso, por ter pego de volta parte que lhe cabia? Quem poderia culpar a ela por ter se metido pelos caminhos que se meteu? Caminhos que a levaram aonde estava. E quem poderia ainda, culpar a própria parte escolhida por ter reivindicado seu direito de ir e vir? Ninguém tinha culpa. Culpa não era a questão. A questão era a história. Culpa não pertencia a ninguém, mas a história sim. A história era de muitos, inclusive do lençol. Não seriam as mão de Catarina que iriam arrancar daquele lençol, as histórias que tinham. Não era justo, não seria justo. Definitivamente ela não tinha esse direito. E por isso e por tantos outros mais, ela não o fez. Obviamente ninguém sabia disso. Do lençol. Todos achavam que ela estava reagindo bem ao término do casamento. E estava, realmente estava. Mas se ela contasse a alguém sobre o lençol, iriam criar problemas, tornar o que estava tudo bem em problema. E ninguém gosta de problemas. Melhor que fique tudo assim como está. Em time que está ganhando não se mexe. E ninguém mais tocava no assunto do casamento, não tinha porquê trazê-lo denovo para mais discussões. Só o lençol ainda lembrava do casamento. E de tudo mais.
Ao contrário dos que amam as páginas em branco porque sempre poderão enchergar nela mil possibilidades, ela preferia conviver com as escolhas. Não gostava do jogo de não ter nada para poder ter tudo. Apesar disso, sempre desejou a presença dos que contemplam e tem medo de serem presos pelas artimanhas das opções que fazem. Dos que acham que mais pesa o que perdem, do que o que ganham, quando optam. Traiçoeiro livre arbítrio.
Ela gostava das marcas, era uma mulher de escolhas, das que seguem caminhos, mesmo sabendo que assim acaba perdendo outras trilhas. A curiosidade nunca foi seu forte. Era mulher de ganância pequena, nunca desejou o mundo todo para si. Só queria parte dele. Uma pequena parte era suficiente. E justo a parte que mais desejou, tinha ido embora a 4 meses. Mas, quem podia culpar o mundo por isso, por ter pego de volta parte que lhe cabia? Quem poderia culpar a ela por ter se metido pelos caminhos que se meteu? Caminhos que a levaram aonde estava. E quem poderia ainda, culpar a própria parte escolhida por ter reivindicado seu direito de ir e vir? Ninguém tinha culpa. Culpa não era a questão. A questão era a história. Culpa não pertencia a ninguém, mas a história sim. A história era de muitos, inclusive do lençol. Não seriam as mão de Catarina que iriam arrancar daquele lençol, as histórias que tinham. Não era justo, não seria justo. Definitivamente ela não tinha esse direito. E por isso e por tantos outros mais, ela não o fez. Obviamente ninguém sabia disso. Do lençol. Todos achavam que ela estava reagindo bem ao término do casamento. E estava, realmente estava. Mas se ela contasse a alguém sobre o lençol, iriam criar problemas, tornar o que estava tudo bem em problema. E ninguém gosta de problemas. Melhor que fique tudo assim como está. Em time que está ganhando não se mexe. E ninguém mais tocava no assunto do casamento, não tinha porquê trazê-lo denovo para mais discussões. Só o lençol ainda lembrava do casamento. E de tudo mais.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
As minhas mentiras, tenho reservado às palavras mudas da minha escrita. Entretanto, por mais sinceridade que eu possa trazer em mim, só conseguirão enchergar versões daquilo que trago. Não é que sejas mal leitor ou eu seja pobre artista. É só que seus olhos veêm o que querem, querido. Sua vontade é criadora (e criativa). Sou eternamente fruto de suas mãos, objeto de seu pensamento, construção sua, mas realidade minha: molde, sempre a escapar da forma que queres.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
São 2:24 da madrugada de quarta-feira. Melina deveria estar dormindo, no entanto, a descoberta que fez entre os lençois lhe atormenta a cabeça de tal forma que o cansaço do corpo não vence a inquietação. Arrependimento: "Deveria ter me cansado mais durante o dia...". Não tinha atingido a exaustão nescessária para cessar o movimento da mente. E que maldita é a mente! Já estava quietinha em sua cama, no quarto mais fresco da casa, com ventilador de teto a espantar pernilongos quando se viu diante da revelção mais irremediável dessa fase de sua vida: era amor. Amor dos bons, dos verdadeiros, amor para uma vida toda, vida esta que estaria condenada a partir de então. Aff... Até pior, para mais de uma vida toda, afinal, o destinatário desse sentimento todo era morto. Tinha falecido a dois anos e levado com ele o pulmão de Melina. Desde então, ela passou a fumar cada vez mais e fumava hoje em dia mais de um maço por dia. Nas noites abafadas de insônia como essa, chegava a dois maços fácil. No maço do beiral da janela, restavam cinco resistentes cigarros. Cigarros como guerreiros que eram abatidos depressa, na perda da batalha contra ela mesma. O sexto guerreiro estava entre os lábios dela, vencido. Os olhos de Melina se perdiam nas luzes amarelas dos postes distantes que a janela do terceiro andar avistava com certa dificuldade perante o breu, que era maior. A fumaça que escapava se ia para perto do breu, da noite quente, de bafo seco.
Átila era o nome do defunto. Não que tivesse morrido de corpo realmente, sua matéria sobrevivia no estrangeiro. Tinham se conhecido, Melina e Átila, no carnaval que ela tinha passado com as amigas na capital. "Cordão do Boitatá". Foram logo queimando de paixão desde o primeiro beijo, no domingo de manhã de sol de pedir arrego em que o bloco seguia, e só terminou a noite, na cama de um muquifo qualquer da Lapa. O carnaval sempre gosta de terminar na Lapa. Fim do sexto cigarro. O calor dessa noite era tão estrangulador quanto o daquela outra, do domingo de carnaval de dois anos atrás. Tanto calor foi um certo problema para Átila. Mesmo já estando no Rio a um més por conta da doença de um tio-avô, ainda não havia se acostumado, não era do litoral de sua terra. Apesar de peruano, Melina achava que ele entendia do calor como ninguém, principalmente do calor que vinha dela. Era o que ela sentia entregue aos carinhos dele até a quarta-feira de cinzas (que não podia ter nome mais apropriado). "Pelo menos ainda é América Latina... e ainda tem os primos cariocas.." e ela ria de tanta dor e azar que tinha. Continuaram se falando por dois meses com a ajuda da tecnologia, principalmente internet, porque telefone era um verdadeiro assalto. Melina ia toda noite na casa da sua tia entrar na internet. Como eram vizinhas e a internet de casa era incrivelmente discada, mesmo depois sendo coisa aparentemente rara hoje em dia, isso de internet discada. A de Melina ainda era. Melina tinha sido criada com sua prima Estér, sempre foram vizinhas e confidentes. Estér tinha passado aquele carnaval com Melina como de costume e sabia de toda história, não podia negar-lhe cumplicidade. A internet. Via de mão dupla no relacionamento dos dois. Diante do monitor Melina pode conhecer melhor seu amoado e também toda família dele. Átila era casado. Malditos sejam os sites de relacionamento. E olha que ela demorou a descobrir. Na verdade, foi por muita insistência da prima que ela o procurou na rede. Melina acreditava na palavra de Átila, que dizia não ter tempo para essas coisas.
Átila tinha vindo ao Brasil por conta da morte desse tal tio-avô que na verdade preenchia o lugar de avô para ele. Seu avô tinha morrido quando ele tinha apenas quatro anos e se lembrava pouco de sua figura. Já com o tio avô, tinha convivido até os 15, aqui mesmo no Brasil, quando seus pais se separaram e ele voltou com a mãe para o país em que morava a família materna. Átila veio sozinho ao Brasil por causa do alto custo que a viagem teria se viessem o casal de filhos e sua mulher. Por um acaso, o parente tinha morrido em boa época e Átila pensou que seria um disperdício não estender por mais uns dias a viagem, para relembrar a festa que empurrava todo mundo para rua. Movimento lindíssimo, contagiante, encantador.
Foi isso. Depois de saber da história por completo, Melina deu fim a Átila. O deletou de toda forma concreta possível. Na verdade, ele já não a procurava a tempos, só o movimento inverso se fazia. Bastou ela parar. Não houve insistência (de nenhuma das partes).
Melina tocou a vida, teve outros amantes. A um deles, chegou realmente a sentir um afeto tão forte quanto o que dedicou a Átila. mas foi caso sem continuidade. Como todos os outros.
"Foi assim... - procurava pensar - lindo e eterno enquanto durou". Mas infelizmente, ela não tinha o desapego de Vinícius e era isso lhe martelava a cabeça então. "Meu Deus... eu amo aquele homem morto". E quê fazer com isso? Quê fazer com todo esse amor que não pode ser entregue? Amor como porta que só abre com a chave certa, que não serve a qualquer uma. Como ter sossego para descansar sobre o silêncio de uma noite tranquila, se ela transborda amor. Como descansar enquanto suas veias fervilham, seu pensamento insiste em transitar nas memórias, sua boca seca, engole palavras de afeto que descem azedas por estarem estragando na garganta? Como dormir com todo esse pulsar? Como durmir se ela está viva?
Átila era o nome do defunto. Não que tivesse morrido de corpo realmente, sua matéria sobrevivia no estrangeiro. Tinham se conhecido, Melina e Átila, no carnaval que ela tinha passado com as amigas na capital. "Cordão do Boitatá". Foram logo queimando de paixão desde o primeiro beijo, no domingo de manhã de sol de pedir arrego em que o bloco seguia, e só terminou a noite, na cama de um muquifo qualquer da Lapa. O carnaval sempre gosta de terminar na Lapa. Fim do sexto cigarro. O calor dessa noite era tão estrangulador quanto o daquela outra, do domingo de carnaval de dois anos atrás. Tanto calor foi um certo problema para Átila. Mesmo já estando no Rio a um més por conta da doença de um tio-avô, ainda não havia se acostumado, não era do litoral de sua terra. Apesar de peruano, Melina achava que ele entendia do calor como ninguém, principalmente do calor que vinha dela. Era o que ela sentia entregue aos carinhos dele até a quarta-feira de cinzas (que não podia ter nome mais apropriado). "Pelo menos ainda é América Latina... e ainda tem os primos cariocas.." e ela ria de tanta dor e azar que tinha. Continuaram se falando por dois meses com a ajuda da tecnologia, principalmente internet, porque telefone era um verdadeiro assalto. Melina ia toda noite na casa da sua tia entrar na internet. Como eram vizinhas e a internet de casa era incrivelmente discada, mesmo depois sendo coisa aparentemente rara hoje em dia, isso de internet discada. A de Melina ainda era. Melina tinha sido criada com sua prima Estér, sempre foram vizinhas e confidentes. Estér tinha passado aquele carnaval com Melina como de costume e sabia de toda história, não podia negar-lhe cumplicidade. A internet. Via de mão dupla no relacionamento dos dois. Diante do monitor Melina pode conhecer melhor seu amoado e também toda família dele. Átila era casado. Malditos sejam os sites de relacionamento. E olha que ela demorou a descobrir. Na verdade, foi por muita insistência da prima que ela o procurou na rede. Melina acreditava na palavra de Átila, que dizia não ter tempo para essas coisas.
Átila tinha vindo ao Brasil por conta da morte desse tal tio-avô que na verdade preenchia o lugar de avô para ele. Seu avô tinha morrido quando ele tinha apenas quatro anos e se lembrava pouco de sua figura. Já com o tio avô, tinha convivido até os 15, aqui mesmo no Brasil, quando seus pais se separaram e ele voltou com a mãe para o país em que morava a família materna. Átila veio sozinho ao Brasil por causa do alto custo que a viagem teria se viessem o casal de filhos e sua mulher. Por um acaso, o parente tinha morrido em boa época e Átila pensou que seria um disperdício não estender por mais uns dias a viagem, para relembrar a festa que empurrava todo mundo para rua. Movimento lindíssimo, contagiante, encantador.
Foi isso. Depois de saber da história por completo, Melina deu fim a Átila. O deletou de toda forma concreta possível. Na verdade, ele já não a procurava a tempos, só o movimento inverso se fazia. Bastou ela parar. Não houve insistência (de nenhuma das partes).
Melina tocou a vida, teve outros amantes. A um deles, chegou realmente a sentir um afeto tão forte quanto o que dedicou a Átila. mas foi caso sem continuidade. Como todos os outros.
"Foi assim... - procurava pensar - lindo e eterno enquanto durou". Mas infelizmente, ela não tinha o desapego de Vinícius e era isso lhe martelava a cabeça então. "Meu Deus... eu amo aquele homem morto". E quê fazer com isso? Quê fazer com todo esse amor que não pode ser entregue? Amor como porta que só abre com a chave certa, que não serve a qualquer uma. Como ter sossego para descansar sobre o silêncio de uma noite tranquila, se ela transborda amor. Como descansar enquanto suas veias fervilham, seu pensamento insiste em transitar nas memórias, sua boca seca, engole palavras de afeto que descem azedas por estarem estragando na garganta? Como dormir com todo esse pulsar? Como durmir se ela está viva?
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A dor que ela sentia, ela bem sabia o que era. Dor antiga, dos tempos do cólera. Qualquer homem da face da Terra, certamente sofreu do mesmo mal. Talvez seja doença mais antiga que os próprios homens. Talvez seja a praga mais corrosiva de todas. Intrínseca ao humano. Dúbia, se pode ser causa primeira, pode também ser o grande ponto final. O motor que impulsiona e a tragédia mais certeira, capaz de motivar o mais duro e derrubar o mais convencido. Claro: amor. Que mais? Amélia estava com todos os sintomas. O diagnóstico era inconfundível e lhe caiu sobre a cabeça como uma sentença. Dentro do ônibus, via as ruas passarem com suas calçadas, sua gente, enfeites: tudo era igual, por mais diverso que fosse. O Rio cinza no verão de céu azul e calor dourado. Tirando ela, tudo mais brilhava. Era época de ano novo, lustroso, relusente. Só dentro dela era tudo velho: as mesmas dores, as mesma angústias, a mesma pena do mundo. Nada aliviava a dor da ausência, a solidão povoada, a solidão das companias. Não importava quem fosse, era sempre a mesma coisa, eram todos iguais: vazios. Não chegavam nem mais a dar a falsa impressão de conteúdo. Ela já os conhecia, mesmo sem trocar uma palavra sequer. Concerteza nenhum deles iria fazer diferença substancial em sua vida. Ela não esperava mais que a sacudissem, não esperava ser sacudida. Não esperava por alguém que a fizesse mudar de vida, nem que a fizesse querer mudar de vida. Só esperava da vida o morno, o que já foi quente e só faz esfriar. A constância, a linha reta, infindável linha reta.
Amélia não era o tipo de mulher que se chamaria de bela, mas tinha algo que a fazia interessante. Um ar de quem domina, um jeito de quem entende da vida, das coisas da vida. Uma cara de quem viveu e conhece, sabe dar forma. Cara de mulher com pegada e desejos a serem satisfeitos. Mulher misteriosa. E isso bastava, bastava para que sempre houvesse homens dispostos a preencher seu tempo. E a essa altura, já tinham sido tantos e eram tantos e tantos outros que se inscreviam como candidatos, que no final tanto fazia. Tanto fazia se fosse João, Pedro, José, ou outro apótolo, discípulo, anjo ou mortal. Todos seriam sempre iguais. Amantes e mais nada.
A dor que lhe expremia os órgãos e secava a boca não tinha direção, ou se tinha ela não sabia. Não sabia mais. Eram tantos e foram tantos que era impossível saber a quem era dedicado o gosto de fel. Então, não tinha solução. Não havia como saciar a vontade do encontro. Afinal, não tinha encontrado e nem vontade de buscar.
Amélia não era o tipo de mulher que se chamaria de bela, mas tinha algo que a fazia interessante. Um ar de quem domina, um jeito de quem entende da vida, das coisas da vida. Uma cara de quem viveu e conhece, sabe dar forma. Cara de mulher com pegada e desejos a serem satisfeitos. Mulher misteriosa. E isso bastava, bastava para que sempre houvesse homens dispostos a preencher seu tempo. E a essa altura, já tinham sido tantos e eram tantos e tantos outros que se inscreviam como candidatos, que no final tanto fazia. Tanto fazia se fosse João, Pedro, José, ou outro apótolo, discípulo, anjo ou mortal. Todos seriam sempre iguais. Amantes e mais nada.
A dor que lhe expremia os órgãos e secava a boca não tinha direção, ou se tinha ela não sabia. Não sabia mais. Eram tantos e foram tantos que era impossível saber a quem era dedicado o gosto de fel. Então, não tinha solução. Não havia como saciar a vontade do encontro. Afinal, não tinha encontrado e nem vontade de buscar.
domingo, 27 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Crise dos vinte anos
Não posso negar que fazer vinte anos foi algo impactante na minha vida, e estou escrevendo um pouco tarde sobre isso, já estou perto dos vinte e um e já me acostumei com toda a tensão. Mas, os meses que antecederam março do ano passado, me fizeram pensar bastante sobre minha vida, minha vida a partir dos vinte.
Primeiro, que quando a gente era criança e se imaginava com vinte anos (Meu Deus!), se imaginava um super adulto, super independente, trabalhando e quase casando, muito dona de si mesmo, linda e decidida, enfim, aquelas balelas que tem igual valor a fantasia do príncipe encantado (que ainda vou escrever sobre). E derrepente, a idade simplesmente chega. Quando você está com dezoito, tranquilo, ainda tem muita coisa ainda, você ainda é extremamente novinha, enfim. Aí você se aproxima dos vinte e seu gosto por homens dá uma volta de 360 graus, e você começa achar barrigudos charmosos e chega a colocar loiros e morenos no mesmo nível de beleza e derrepente acontece: você fica com um cara 10 anos mais velho que você, ou seja, você beijou um homem de 30 anos! Jesus! Eu disse que você beijou um HOMEM de TRINTA ANOS! É um choque. Não posso negar, o primeiro homem de cabelos brancos nunca se esquece. E quando isso acontece...
Quando você sai com suas amigas nos lugares que costumava ir e parece que a pirralhada dominou o mundo é o sinal. Quando você começa a dar mole pros tios de terno, é o sinal. Quando os amigos do seu pai começam a encontrar você na noitada, é o sinal. Quando sua mãe começa a ficar realmente admirada com a beleza dos seus namorados é o sinal. E ainda pior, quando a sua avó é super amiga da mãe do cara, o sinal já queimou de tanto que piscou. É... você está ficando velha, daqui a pouco você que está desfarçando os fios brancos com luzes. Sua mãe começou a ter os primeiros fios brancos aos 24. 24? Então só há mais uns poucos anos de virgindade capilar. SO-COR-RO!
É, dá vontade de gritar. Acho até que estou entrando na crise dos vinte outra vez. Mas, a questão é que os vinte anos não te fazem apenas perceber a pele mais enrugada. Tem muito mais coisa aí debaixo. Pensando dentro de uma cronologia mais banal, é dos vinte aos 30 que sua vida tem que se estruturar (eu disse e repito: dentro do pensamento do senso comum, o socialmente aceitável e considerado "normal"). Dos vinte aos trinta, a sociedade e seus pais esperam que você: se forme numa faculdade ou tenha uma profissão que te permita o auto-sustento; saia da casa dos seus pais e levante a bandeira da independência; arrume uma pessoa legal e se case (alguém mas teve calafrios na presença dessa última palavra? heim? heim? heim?calma que o pior está por vir) e tenha filhos (alguém desmaiado?). E isso principalmente para a mulher, a mulher é muito mais cobrada, sofre muito mais com a pressão social. Uma mulher com mais de trinta, solteira e sem filhos, corre o risco de ser assim pra sempre, é o que dizem nossas tias gentis. Então, uma menina de vinte anos tem que ser uma mulher de vinte anos, que se não tem pretendente, começa a fazer as contas do tempo útil que ainda lhe resta para que consiga arranjar um. Nem tanta pressa, porque seria dificil mantê-lo por quatro ou cinco anos, o mais provável é que ele escape, e você também não quer casar aos 22, por favor! É preciso calcular milimetricamente o tempo, os anos, para que no momento certo (nem muito cedo, nem tarde demais) você esteja com seu emprego, com seu noivo, planejando a cor dos cabelos dos filhos.
Tá, agora realmente estou sentindo a pressão nos ombros voltar. É verdade que os tempos estão mudando, amém. Mesmo antes, haviam aquelas lindas mulheres de vanguarda, vestidas de calça jeans, com livros nas mãos ao invés de colher de pau. Só que hoje em dia você tem que se virar com a colher de pau, a mamadeira, os livros, e mais o salto alto, o cabelo tem que estar arrumado, os prazos tem que ser respeitados...
Ainda não vivo todos esses imperativos, mais muitos deles já vivo sim. Mas, eu gosto de burlar a parte do cabelo sempre arrumado e principalmente do salto alto. Apesar de serem imperativos mais fortes hoje do que foram aos 19. Cada anos que passa parece que você está se vendendo mais e vivendo menos. E não se costuma perceber isso, você vive realmente no automático. Só quando você fica sem andar direito porque aparece uma hérnia na sua barriga ou duas ínguas na sua virilha, uma de cada lado, ou quando seu resfriado finalmente vira uma pneumonia, que você começa achar seriamente que está na hora de parar. E também, por mais que aquela mulher de vanguarda seja fálica, você também quer uma vidinha mais ou menos, uma casa, formar família e de preferência antes dos trinta, sim!
Claro que não dá para se entregar a neurose, e ficar correndo atrás de homem desesperadamente só pra casar antes dos trinta ou se formar em qualquer curso só para ter uma graduação, enfim.
Ahhh... talvez seja tudo igual na infância, balela (né? né? Diz que sim!). Antes, poderia falar assim, agora que estou dentro dos vinte a trinta, o cerco vem estreitando, confesso. Como estarei, ao ver meus prazos estourando?
Risível gente, muito risível esse texto. Eu, mulherzinha neurótica? (que bom, melhor que psicótica!). Tá, dor de cabeça, então... hora de parar (ou fugir?).
Primeiro, que quando a gente era criança e se imaginava com vinte anos (Meu Deus!), se imaginava um super adulto, super independente, trabalhando e quase casando, muito dona de si mesmo, linda e decidida, enfim, aquelas balelas que tem igual valor a fantasia do príncipe encantado (que ainda vou escrever sobre). E derrepente, a idade simplesmente chega. Quando você está com dezoito, tranquilo, ainda tem muita coisa ainda, você ainda é extremamente novinha, enfim. Aí você se aproxima dos vinte e seu gosto por homens dá uma volta de 360 graus, e você começa achar barrigudos charmosos e chega a colocar loiros e morenos no mesmo nível de beleza e derrepente acontece: você fica com um cara 10 anos mais velho que você, ou seja, você beijou um homem de 30 anos! Jesus! Eu disse que você beijou um HOMEM de TRINTA ANOS! É um choque. Não posso negar, o primeiro homem de cabelos brancos nunca se esquece. E quando isso acontece...
Quando você sai com suas amigas nos lugares que costumava ir e parece que a pirralhada dominou o mundo é o sinal. Quando você começa a dar mole pros tios de terno, é o sinal. Quando os amigos do seu pai começam a encontrar você na noitada, é o sinal. Quando sua mãe começa a ficar realmente admirada com a beleza dos seus namorados é o sinal. E ainda pior, quando a sua avó é super amiga da mãe do cara, o sinal já queimou de tanto que piscou. É... você está ficando velha, daqui a pouco você que está desfarçando os fios brancos com luzes. Sua mãe começou a ter os primeiros fios brancos aos 24. 24? Então só há mais uns poucos anos de virgindade capilar. SO-COR-RO!
É, dá vontade de gritar. Acho até que estou entrando na crise dos vinte outra vez. Mas, a questão é que os vinte anos não te fazem apenas perceber a pele mais enrugada. Tem muito mais coisa aí debaixo. Pensando dentro de uma cronologia mais banal, é dos vinte aos 30 que sua vida tem que se estruturar (eu disse e repito: dentro do pensamento do senso comum, o socialmente aceitável e considerado "normal"). Dos vinte aos trinta, a sociedade e seus pais esperam que você: se forme numa faculdade ou tenha uma profissão que te permita o auto-sustento; saia da casa dos seus pais e levante a bandeira da independência; arrume uma pessoa legal e se case (alguém mas teve calafrios na presença dessa última palavra? heim? heim? heim?calma que o pior está por vir) e tenha filhos (alguém desmaiado?). E isso principalmente para a mulher, a mulher é muito mais cobrada, sofre muito mais com a pressão social. Uma mulher com mais de trinta, solteira e sem filhos, corre o risco de ser assim pra sempre, é o que dizem nossas tias gentis. Então, uma menina de vinte anos tem que ser uma mulher de vinte anos, que se não tem pretendente, começa a fazer as contas do tempo útil que ainda lhe resta para que consiga arranjar um. Nem tanta pressa, porque seria dificil mantê-lo por quatro ou cinco anos, o mais provável é que ele escape, e você também não quer casar aos 22, por favor! É preciso calcular milimetricamente o tempo, os anos, para que no momento certo (nem muito cedo, nem tarde demais) você esteja com seu emprego, com seu noivo, planejando a cor dos cabelos dos filhos.
Tá, agora realmente estou sentindo a pressão nos ombros voltar. É verdade que os tempos estão mudando, amém. Mesmo antes, haviam aquelas lindas mulheres de vanguarda, vestidas de calça jeans, com livros nas mãos ao invés de colher de pau. Só que hoje em dia você tem que se virar com a colher de pau, a mamadeira, os livros, e mais o salto alto, o cabelo tem que estar arrumado, os prazos tem que ser respeitados...
Ainda não vivo todos esses imperativos, mais muitos deles já vivo sim. Mas, eu gosto de burlar a parte do cabelo sempre arrumado e principalmente do salto alto. Apesar de serem imperativos mais fortes hoje do que foram aos 19. Cada anos que passa parece que você está se vendendo mais e vivendo menos. E não se costuma perceber isso, você vive realmente no automático. Só quando você fica sem andar direito porque aparece uma hérnia na sua barriga ou duas ínguas na sua virilha, uma de cada lado, ou quando seu resfriado finalmente vira uma pneumonia, que você começa achar seriamente que está na hora de parar. E também, por mais que aquela mulher de vanguarda seja fálica, você também quer uma vidinha mais ou menos, uma casa, formar família e de preferência antes dos trinta, sim!
Claro que não dá para se entregar a neurose, e ficar correndo atrás de homem desesperadamente só pra casar antes dos trinta ou se formar em qualquer curso só para ter uma graduação, enfim.
Ahhh... talvez seja tudo igual na infância, balela (né? né? Diz que sim!). Antes, poderia falar assim, agora que estou dentro dos vinte a trinta, o cerco vem estreitando, confesso. Como estarei, ao ver meus prazos estourando?
Risível gente, muito risível esse texto. Eu, mulherzinha neurótica? (que bom, melhor que psicótica!). Tá, dor de cabeça, então... hora de parar (ou fugir?).
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Morte do eu-lírico
Há muito tempo esse nome me incomoda, então resolvi mudar. E talvez mude novamente. E mais uma vez. Enfim (reticências)
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